Acompanhe a velocidade da Covid-19

Diferente de outras iniciativas, o Covidômetro permite monitorar a pandemia do novo coronavírus com base na velocidade média do registro de novas mortes e casos de Covid-19 no Brasil.

Quanto menor o tempo entre cada novo registro, maior o avanço da doença e a necessidade de distanciamento social e outras medidas de controle.


A Plataforma

O Covidômetro é uma plataforma desenvolvida em uma iniciativa do professor e pesquisador Maxwell Guimarães de Oliveira, da Unidade Acadêmica de Sistemas e Computação (UASC) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), que está no ar desde 12/05/2020. O principal objetivo desta plataforma é facilitar o acompanhamento da Covid-19 pelos cidadãos em suas localidades de origem. O Covidômetro é resultado de uma pesquisa iniciada em Abril/2020, que transforma os dados de novos casos e mortes por Covid-19 em velocidades e acelerações. Cada velocidade aferida recebe uma classificação que foi desenvolvida com base em um estudo envolvendo taxas de mortalidade por outras doenças no Brasil. A classificação trágica, por exemplo, indica uma velocidade diária de novas mortes por covid-19 que supera a velocidade diária observada para a taxa de mortalidade por todas as doenças somadas, no Brasil.

Um artigo científico contendo todo o detalhamento do método desenvolvido para a construção da plataforma, envolvendo os algoritmos e cálculos envolvidos, foi submetido a uma revista internacional e encontra-se em fase de revisão por pares. Enquanto a publicação científica não acontece, caso seja necessário citar a plataforma em alguma publicação, sugere-se utilizar a seguinte informação:

DE OLIVEIRA, M. G. Covidômetro. Plataforma de monitoramento da velocidade da Covid-19 em todo o Brasil. 2020. URL: https://www.covidometro.com.br/

Os Dados

Desde 05/06/2020, o Covidômetro utiliza dados da Covid-19 disponíveis nos boletins das Secretarias de Saúde dos Estados, tratados por Álvaro Justen e colaboradores na plataforma Brasil.IO. Até 04/06/2020, os dados da Covid-19 eram obtidos diariamente do portal de dados mantido pelo Ministério da Saúde e desativado repentinamente em 05/06/2020. Os dados populacionais (Brasil, Distrito Federal, 26 Estados e 5.570 Municípios) são estimativas de referência para o ano 2019, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), com ajustes demandados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Os dados de referência para as marcações de velocidade da doença foram obtidos no relatório anual de mortalidade no Brasil (mortes por doenças), disponíveis no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde (MS/SVS/CGIAE) e DataSUS, cujo o mais recente é referente ao ano 2018.

A plataforma está programada para atualizar a tela automaticamente a cada 30 minutos, trazendo eventuais atualizações em seus dados, tão logo estejam disponíveis nas fontes consultadas periodicamente. Dessa forma, poderá ser facilmente utilizada em telas de monitoramento permanente da Covid-19.

ATENÇÃO: Eventuais divergências e/ou atrasos na atualização dos números de casos/mortes informados no Covidômetro, são reflexos dos dados obtidos diariamente junto às Secretarias de Saúde dos Estados e Ministério da Saúde. A plataforma não realiza nenhuma modificação nos números de casos e mortes contabilizados diariamente pelas fontes consultadas.

Cálculo da Velocidade Média

A velocidade média diária do número de novos casos e mortes é calculada na proporção de 100 mil habitantes. Essa metodologia transforma os números para um cenário em que cada localidade possui a mesma população: 100 mil habitantes. Isso permite que os velocímetros do Covidômetro possam ser comparados de forma correta e justa, considerando a diferença populacional e permitindo comparações entre as velocidades médias referentes ao Brasil, Estados e também entre os municípios.

Tomemos os Estados do Acre e de Alagoas como exemplo. Em 18/05/2020, um novo caso era registrado no Acre, em média, a cada 2h35min, enquanto que um novo caso em Alagoas era registrado, em média, a cada 3h28min. Com essa informação, rapidamente percebemos que o Acre está mais acelerado na propagação da doença (em quase 1h para um novo caso por 100 mil habitantes). Curiosamente, se olharmos os números absolutos de casos nesta mesma data, podemos ter uma percepção contrária e equivocada da propagação da doença, já que o Acre registrava 2.234 casos, contra 4.031 casos em Alagoas. No entanto, quando observamos os números relativos de casos, ou seja, aqueles que equalizam a população desses Estados em 100 mil habitantes, verificamos que eram 253,3 casos no Acre, contra 120,8 casos em Alagoas.

Para finalizar este exemplo, é importante ressaltar que, os números absolutos e relativos de casos e mortes são sempre crescentes e, no máximo, constantes, no decorrer do tempo. Por outro lado, as velocidades informadas no Covidômetro são dinâmicas, podendo tanto aumentar como diminuir, de acordo com a variação diária de novos casos e mortes registrados. O ritmo de novos registros é um dos vários parâmetros que precisa ser considerado na tomada de decisão dos gestores públicos no tocante ao reforço ou relaxamento das medidas de controle da doença. Para a população em geral, esse ritmo é um parâmetro que oferece uma rápida interpretação sobre a situação da Covid-19 em suas localidades de interesse.

A velocidade média diária de casos/mortes para uma localidade é calculada da seguinte forma: 1) converte-se os números absolutos de novos casos/mortes em números relativos, obtendo uma velocidade na unidade de medida “mortes a cada 100 mil hab. por dia”; 2) essa velocidade é convertida em “dias para uma nova morte por 100 mil hab.”, e; 3) a velocidade média aferida para uma data é então calculada a partir da média aritmética entre a velocidade da data a as velocidades dos 6 dias antecedentes a essa data, considerando, portanto, uma janela de 7 dias, exceto para os primeiros sete dias de registro em uma localidade, onde essa janela consequentemente é menor. OBS: Até 04/06/2020, a velocidade média aferida era calculada a partir da média entre a velocidade da data com a velocidade da data anterior. Verificou-se, no entanto, que esse método não era o mais adequado, por dois motivos principais: 1) em função da redução das velocidades nos fins de semanas e feriados, que não necessariamente representam uma real melhoria da situação na localidade; e 2) em função de algumas Secretarias Estaduais de Saúde, que, eventualmente, levam mais de 24 horas para divulgarem novos números ou divulgam em formato que dificulta o processo de coleta, requerendo mais tempo para ser finalizado.

O valor da velocidade média diária é então exibido no contador em formato de "dias, horas e minutos". No velocímetro, esse mesmo valor é exibido em escala logarítmica invertida, de modo que fique mais intuitivo ao usuário, uma vez que se assemelha aos velocímetros encontrados nos automóveis e motocicletas.


Classificação da Velocidade da Covid-19

Com o objetivo de sugerir ao usuário o que a velocidade média diária indica para o avanço da doença em uma localidade, foram definidas faixas de classificação dessa velocidade média. Os intervalos (em dias) para cada uma dessas faixas foram definidos após uma análise nos números de mortes por doenças registrados no Brasil em 2018. A tabela para classificação da velocidade média das novas mortes é a seguinte.

Para definir a tabela de classificação das velocidades dos casos, tomou-se por base a tabela de classificação das velocidades das mortes (acima), considerando um índice de 15% de letalidade da Covid-19 no Brasil (em 25/05, esse índice era de 6,3%). Para se ter uma ideia, a letalidade da doença na Itália, que já foi epicentro, é de 14%. Além disso, o uso do índice de letalidade acima do atualmente verificado no país visa incluir, na tendência de mortalidade, uma margem de subnotificação de novos casos. A tabela para classificação da velocidade média dos novos casos é a seguinte.

Ressalta-se, no entanto, que essa classificação é uma sugestão, que pode ser revista e aprimorada à medida que novos estudos técnicos e científicos forneçam subsídios que justifiquem ajustes. Por fim, recomenda-se fortemente aos gestores, que, no interesse de incluir as informações do Covidômetro no processo de tomada de decisão, façam com apoio de pesquisadores e demais profissionais da área de saúde.


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